sábado, 20 de maio de 2017

A CORRUPÇÃO É AUTOFÁGICA

A corrupção se alimenta da própria corrupção. Os corruptos se comem e se devoram. Os corruptos se nutrem de sua própria corrupção. Os corruptos vomitam corrupção e comem o seu próprio vômito corrupto.

Os corruptos pensam que nunca serão descobertos. Os corruptos acham que nunca serão alcançados. Os corruptos têm certeza de que acontecerá com outros, mas não com eles. Os corruptos se sentem inexpugnáveis. Os corruptos se colocam acima de tudo até de sua própria corrupção.

Os corruptos se deixam enganar pelo engano da corrupção. Os corruptos acreditam na mentira de sua própria corrupção. Os corruptos relativizam a verdade. Os corruptos absolutizam a mentira. Os corruptos corrompem os fatos. Os corruptos distorcem a realidade.

Os corruptos têm memória de curto prazo. Os corruptos logo esquecem de sua corrupção. Os corruptos sofrem de amnésia. Os corruptos esquecem com facilidade a própria corrupção. Os corruptos são vítimas engano dos outros corruptos. Os corruptos sempre desconhecem o que estava acontecendo.

A corrupção se alimenta da corrupção. A corrupção só é corrupção porque se retroalimenta da própria corrupção. A relação autofágica é que mantém a corrupção.
A corrupção se alimenta da própria corrupção. Os corruptos se comem e se devoram. Os corruptos se nutrem de sua própria corrupção. Os corruptos vomitam corrupção e comem o seu próprio vômito corrupto.

Os corruptos se comem e se devoram. Quem ousa um dia se meter nessa relação autofágica, vai ver pedaços de sua alma sendo arrancados e dilacerados pela corrupção.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

COMO SOMOS PATÉTICOS!

A trajetória da Associação Chapecoense de Futebol foi reportada por alguns jornais estrangeiros como o “Conto de Cinderela”. O clube do interior catarinense conquistou o acesso à divisão de elite do futebol brasileiro, egresso das séries B, C e D, em pouquíssimo tempo. A sua ascensão à série A foi resultado de um planejamento que não se vê em meio ao caos administrativo dos clubes do futebol nacional. Os seus gestores são exemplo de uma administração responsável.

Os atletas da Chapecoense, desde as categorias de base, usufruem de condições adequadas para o desenvolvimento de suas capacidades e habilidades. A campanha da Chapecoense durante este ano chamou a atenção dos comentaristas, especialmente por ter chegado à final da Copa Sulamericana, para decidir o seu primeiro título intercontinental. Sob o comando de um jovem e promissor treinador de futebol, a equipe formada por atletas experientes e outros que despontavam no meio esportivo brasileiro, como no Conto de Cinderela, viu o seu sonho se desfazer, quando os ponteiros do relógio da vida real sinalizarem meia-noite.

Só um acontecimento tão dramático, como o acidente aéreo que vitimou a maior parte da delegação da Associação Chapecoense de Futebol, para chacoalhar a nossa idiotice diante da vida. A gente vive a vida sem respeitá-la. A gente vive a vida sem dar o devido valor ao que realmente importa. A gente vive a vida sem se afetar com a vida do outro. A gente vive a vida sem se enxergar. A gente vive a vida com desleixo. Contudo, quando a gente vê aqueles jovens jogadores tão cheios de vida, nos vídeos que eles próprios fizeram ainda abordo do avião, e depois a trágica notícia de seu desaparecimento, toda a nossa presunção e arrogância são, imediatamente, contestadas. A gente acha que pode tudo. A gente acha que tem razão em tudo. A gente acha que sabe tudo. A gente acha que entende de tudo. A gente acha que é mais do que realmente é. Como somos patéticos! A patetice da gente explode diante das nossas caras quando um acontecimento sobre o qual não se tem qualquer controle esmaga a nossa arrogância e presunção.

Vocês já pararam para pensar que podem estar empurrando a vida com a barriga? É verdade! Ainda que digam que têm um monte de planos e sonhos, a vida que vivem pode ser um bocado de coisas que não tem o menor significado ou o menor sentido, e só são uma cumulação de coisas despropositadas que não vão resultar em nada nas suas existências? Jesus falou sobre isto. Ele disse, “O povo vivia comendo, bebendo, casando-se e sendo dado em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e os destruiu a todos” (Lc. 17:27). Ademais, Jesus lembrou também dos dias de Ló e acrescentou, “Aconteceu a mesma coisa nos dias de Ló. O povo estava comendo e bebendo, comprando e vendendo, plantando e construindo. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu e os destruiu a todos (Lc. 17:28, 29). Porém, ninguém se deu conta de que vivia empurrando a vida com a barriga, porque a vida se resumia a comer, beber, casar-se e dar-se em casamento, comprar, vender, plantar e construir, como se estas coisas fossem tudo sobre a vida e a vida se resumisse a estas coisas. E aí o que a gente menos espera acontece. O dilúvio vem! A cidade é destruída! O avião cai! Coisas sobre as quais ninguém tem controle, ainda que ache que tudo está sob controle em suas vidas ridículas, vêm como enxurrada e varrem para longe sonhos, esperanças, projetos, anseios, desejos. E a vida se vai como se não se gente não a tivesse vivido.

A vida é assim! Ela prega peças na gente. Ela arma emboscadas para a gente. Ela conta piadas de mal gosto. O que mais a gente teme é o que ocorre, às vezes, na vida da gente. A gente se ilude. A gente vive numa sociedade onde se criou a necessidade de ser feliz. A pretensão de se estar feliz sempre ou de se buscar o lado feliz, como se houvesse um lado feliz em tudo o que acontece com a gente, é besteira. A tristeza faz parte da vida. Não dá sempre para fazer dos limões uma limonada. Aqui e acolá há um limão podre. Assim como a alegria precisa ser curtida a tristeza também. Querer ser feliz o tempo todo é babaquice, quando não uma doença da mente. Se a gente fica alegre, que a gente curta esta alegria em Cristo. Se a gente fica triste, que a gente curta esta tristeza em Cristo. Ninguém vai ficar alegre o tempo todo. Ninguém vai ficar triste o tempo todo. A vida da gente é feita, natural e normalmente, de alegrias e tristezas. Ninguém vai ter tudo o quer na vida para poder ser feliz e, se não tiver tudo o quer, não vai poder ser feliz. Até mesmo os familiares dos que se foram, após o fatídico acidente na Colômbia, refarão as suas vidas, ainda experimentarão alegrias e outras tristezas, e carregarão a lembrança dolorida de seus amados. Enquanto isto, muitos de nós ainda estaremos nos debatendo com as nossas picuinhas existenciais, tentando decidir se seremos felizes ou tristes, porque não conseguimos o que desejamos.

Contudo, Jesus pede que os seus discípulos aprendam a lição da figueira. Quando os seus ramos se renovam e as suas folhas começam a brotar é sinal de que o verão está chegando. No entanto, a gente é displicente. A gente é lerdo para aprender. A gente é samonga para entender. O que Jesus quer ensinar com a lição da figueira? Você e eu temos discernido os sinais? Não se trata de nada exotérico ou carismático. É que a vida sinaliza para a gente oportunidades, momentos, conjunturas, situações, instantes. Em outras palavras, a gente precisa entender que a vida não é só o aqui e agora, mas, também, o que a gente semeia para colher, as chances que a gente aproveita ou desperdiça, as oportunidades que nos chegam às mãos, a conjuntura de fatos que concorrem para uma boa ou má decisão, o instante que requer da gente sabedoria e prudência para tomar uma decisão. A vida é muito maior do que as nossas necessidades imediatas, os nossos sonhos de consumo, as nossas expectativas irrealizáveis, os nossos desejos insaciáveis, os nossos descontentamentos infantis, as nossas amarguras por injustiças sofridas, os nossos amores impossíveis e tudo mais que jamais poderemos conseguir ou realizar, porque a gente não vai encontrar o significado mais profundo da vida nestas coisas.

A gente precisa aprender a lição da figueira, porque os ramos que se renovam e as folhas que começam a brotar podem estar sinalizando para a gente que uma nova estação de nossas vidas está próxima e precisa começar. É tempo de perceber que as coisas não podem continuar como estão. É tempo de perceber que as coisas precisam mudar. É tempo de perceber que deixar que as coisas continuem do mesmo jeito é perder tempo. É tempo de perceber que o tempo de mudar chegou e vai passar. E tempo de perceber que, se o tempo de mudar passar, as coisas que precisam mudar não vão continuar do mesmo jeito, mas vão, na verdade, piorar. É tempo de perceber que é tempo de uma nova estação nas nossas vidas. Esta nova estação pode ser uma nova e mais precisa percepção de uma manifestação extraordinária da graça no relacionamento com Deus, consigo mesmo e com o outro, na realização da vida sentimental, nos projetos de trabalho e de estudo, na concretização de sonhos e esperanças, que nos traga a maturidade para viver cada momento da vida com o necessário contentamento e gratidão, sem dela esperar mais do que ela pode nos oferecer.

Todavia, a gente precisa aprender a lição da figueira, porque há tempo de esperança, para além da história, que não se limita a esta vida apenas, pois, como diz Paulo, se a esperança da gente se circunstanciasse a comer, beber, casar-se e dar-se em casamento, comprar, vender, plantar e construir - e outras coisas mais que a gente faz todos os dias até o ano acabar e começar um novo ano para a gente fazer as mesmas coisas todas de novo - a gente seria mais infeliz do que o mais infeliz de todos os seres humanos, porque a fé da gente seria inútil por ter crido numa pregação mentirosa (I Co. 15:14). Ao contrário, a esperança da gente está firmada na palavra de Jesus e Jesus é a palavra. Ora, a esperança da gente não está arrimada nos céus ou na terra, porque os céus e a terra passarão. Ela não espera em coisas fugazes, efêmeras, transitórias, findáveis como tudo o que há neste mundo e neste mundo perece. A esperança da gente não será frustrada, porque está apoiada nas palavras de Jesus que, como Ele é, nunca deixarão de ser. A esperança da gente, a maior de todas as esperanças, é a esperança da volta pessoal e imediata de Jesus Cristo. Esta esperança de sua volta impulsiona a gente a buscar viver a vida com significado, porque a gente a vive desde já na perspectiva do Reino de Deus. A proximidade de sua chegada é a grande lição da figueira, porque a gente deve viver a vida como se Jesus estivesse às portas, porque Ele sempre esteve às portas e está às portas para todas as gerações daqueles que n’Ele esperam e nunca perderam a esperança de manter a esperança de que Ele voltará. Esta esperança na gente tem de ser maior do que qualquer outra esperança na vida da gente, porque nenhuma esperança, além da esperança da vinda do Reino de Deus, pode, realmente, livrar a gente de viver uma vida pateticamente vivida em busca de sentido num mundo sem o menor sentido.

Vou terminar com um trecho de um e-mail que escrevi a um amigo-irmão, no dia 26/03/2010, quando vivia os dias tenebrosos da minha depressão: “É, de fato, a felicidade é um sentimento simples, que não precisa de muitos adereços e penduricalhos associados tais como: família, bens, prazer, fama. Às vezes, nós confundimos felicidade com tais coisas. Contudo, nesta vida, que não é absoluta - nada é absoluto, nem mesmo a felicidade - permita-me falar de bem-aventurança. Bem-aventurança é um estado ou condição d'alma que está para além do sentimento puro e simples de felicidade. Sim, a bem-aventurança encapsula a felicidade e a paz e vice-versa, mas significa mais que só felicidade. Bem-aventurança contém o mistério de ser feliz na infelicidade, de ter paz na falta de paz. Bem-aventurança, para mim, é sentir-me paradoxal e estranhamente feliz na minha infelicidade, que também não é - graças aos céus - absoluta. Não são a felicidade ou a infelicidade, absolutas, porque elas vão e voltam, aparecem e desaparecem, nos encontram e nos desencontram nesta vida relativa. Todavia, não é assim com a BEM-AVENTURANÇA. Ela é incondicional: independe do meu estado de espírito, do meu humor, da minha condição financeira, da presença ou da ausência dos que amo. Sem esta BEM-AVENTURANÇA, eu particularmente, pois o amigo-irmão sabe do momento infeliz que vivo, já haveria dado cabo da minha vida como tentei, mas a BEM-AVENTURANÇA não me permitiu.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

EU MATEI UM HOMEM

"Quem odeia seu irmão é assassino."



Eu matei um homem. Eu matei sem armas. Eu matei sem mãos. Eu matei sem encomendar a sua morte. Eu matei com dolo. Eu matei com culpa. Eu matei um homem.

Eu matei um homem. Eu matei com o coração. Eu matei com a alma. Eu matei com a mente. Eu matei com sentimentos. Eu matei com pensamentos. Eu matei um homem.

Eu matei um homem. Eu matei porque posso ser a própria morte. Eu matei porque a morte sou eu. Eu matei porque a morte entrou em mim. Eu matei porque a morte me dominou. Eu matei um homem.

Eu matei um homem. Eu matei como mensageiro da morte. Eu matei como enviado da morte. Eu matei como personificação da morte. Eu matei como instrumento da morte. Eu matei um homem.

Eu matei um homem. A morte está tão presente. A morte está dentro de mim. A morte pode ser eu mesmo. Eu posso ser a morte. Eu matei um homem. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A BUROCRACIA MECANIZADA DO AMOR

O amor é cantado e decantado. Fala-se de amor o tempo todo. Escreve-se sobre o amor o tempo todo. Poetiza-se o amor o tempo todo. Proseia-se sobre o amor o tempo todo.  Encena-se o amor o tempo todo. Exorta-se ao amor o tempo todo. O amor... o amor... o amor... Que chato!

O amor não é mais escondido, abscôndito, ignorado, para aquele que o pratica. Ele precisa ser ostentado. O amor tem de ganhar notoriedade. Ou é aquele que supostamente o pratica? Ao contrário do que nos ensina o Senhor Jesus Cristo no sermão do monte, o amor, produto de consumo, é ostensivo para que todos vejam quem diz que o ostenta; é praticado para que todos vejam quem o pratica; é publicizado para que todos vejam quem o publiciza. Só não é amor, porque se fosse amor, amor seria em silêncio para Deus, para a pessoa amada e, sobretudo, absolutamente desconhecido para quem ama.

O amor já está enchendo a paciência! O amor se tornou legalista. O amor está se transformado em obrigação. O amor está sendo padronizado. O amor - parece-me - é também mais um produto de consumo. O amor sai das linhas de produção em série. O amor obedece a lógica taylorista de produção. É a burocracia mecanizada de Weber tomando conta do amor. O amor foi engolido pela hierarquização, pelo império da lei, pela meritocracia. O amor deixou de ser charisma, dom, graça, favor. O amor está em busca de reconhecimento, de promoção, de mérito. Nesta economia de mercado, quem ama mais para dizer que ama mais?

Roubaram a liberdade do amor. O amor deixou de ser livre. O amor não é livre para amar. Não estou falando de amor-livre, mas de liberdade para amar, que significa amar sem ser obrigado. Não estou falando de entregar o amor a toda sorte de experiência que se volta contra o próprio amor, mas de liberdade para amar, sem uso de força coercitiva, sem mandado de segurança, sem uso de polícia, sem culpabilidade. O amor é gerado pelo Espírito no nosso coração pelo amor de Deus e nasce de parto natural. Não é um estupro de nossa mente, cujo fruto é arrancado do útero do nosso ser a fórceps.

Toda e qualquer força externa, que não interna, porque o amor não brota de fora para dentro, mas de dentro para fora, seja por apelos a contribuições, doações, coletas, através de sermões, discursos, exortações, admoestações, tudo isto tira a graça da graça da liberdade do amor. O amor tem de ser livre para amar à semelhança da graça do amor de Deus que nos ama livre e soberanamente, porque, nada em nós ou fora de nós, leva-O a amar-nos como nos ama: do mesmo jeito, ontem, hoje e sempre.

Basta de querer impor aos outros o amor ao próximo como obrigação. Amar o outro como a si mesmo é uma tomada de consciência do Evangelho, motivada pelo amor a Deus, que muda a nossa disposição mental e a nossa vontade, mediante a quebra das amarras da consciência pela graça, pois, o Espírito Santo é quem opera na interioridade do nosso ser, onde está sendo cultivada a natureza de Cristo. Só assim a gente vai amar como Deus ama a gente.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

ANORÉXICA OBESIDADE OU OBESA ANOREXIA

Jesus disse que não é o que entra pela boca do homem que o torna "impuro", mas o que sai de sua boca. O sábio rei escreveu que a boca fala do que o coração está cheio.

Reconheço que o meu coração é obeso. Reconheço que o meu coração é inapetente. Ele é obeso. Ele é inapetente.

O meu coração obeso não obedece à dieta de Jesus. O meu coração inapetente não obedece à dieta de Jesus. Ele é gordo e magro.

Ele é obeso porque se alimenta de tudo que de podre há nele mesmo e se farta de sua imundície, engordando-se das sujidades da alma corrompida por desejos e motivações impuros, deles se cevando a fim de se robustecer em sua dureza empedernida.

Ele é anoréxico porque se alimenta não para alimentar-se do que é alimento, mas para vomitar a sua podridão, que nele se acumula, porque, dele e somente dele, a inveja, a cobiça, os maus pensamentos, os desejos sexuais impuros, o engano, são expelidos pela boca em golfadas de refugo e escória da alma.

E aí a minha boca fala do que o meu coração está cheio, porque não é o que entra por minha boca o que me contamina e o que contamina os outros, mas, sim, o que da minha boca eu vomito de dentro do meu coração corrompido por minha própria corrupção.


sábado, 3 de outubro de 2015

FALSEAMENTO

Eu errei! Ao dizer que se errou, de alguma maneira, a gente ameniza o que de errado a gente fez. Eu pequei! Dizer que se pecou, de alguma maneira, a gente admite que o que se fez não tem como ser amenizado.

Consciente do meu pecado, pedi perdão. Pedi perdão, embora acreditasse que, quem por mim foi perdoado, também me ofendeu. Mas, mesmo assim, não quis discutir sobre o que ele me disse ou deixou de me dizer, porque resolvi apenas perdoar e pronto. Simples assim!

Mas simples assim que nada! Descobri, no meio do que me parecia simples, um sentimento em mim que descredibilizava a minha iniciativa de pedir perdão, ainda que consciente de que pequei contra o meu semelhante e, portanto, ao mesmo tempo, convicto de que havia pecado.

Foi aí que descobri um outro pecado, não do outro, mas meu mesmo e só meu. Pedi perdão, consciente de que pequei, mas pedi perdão porque me sentia envergonhado de ter pecado, e não porque pequei. Envergonhado fiquei de que o meu pecado era meu, e eu o havia cometido.

Pequei duas vezes: primeiro, porque magoei um irmão e segundo, pequei porque me descobri pecador e envergonhado comigo mesmo por ter eu sido aquele que pecou, achando que não seria tão pecador a ponto de pecar como eu pequei. Como somos lenientes, condescendentes, indulgentes com nós mesmos.

Poderia ter sido qualquer outra pessoa, mas eu quis me enganar sobre quem eu era. Foi aí que ficou claro para mim que o perdão vai além de se reconhecer que se comete uma maldade contra alguém. Mesmo consciente da culpa do pecado cometido, sentir vergonha por achar que não seria capaz de fazê-lo é um pecado mais miserável.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

ESCANDALIZADORES, ESCANDALIZADOS E LEGALISTAS

Jesus, certa ocasião, disse que melhor seria àqueles que fazem o outro tropeçar que se lhes amarrasse uma pedra de moinho no pescoço e fossem lançados nas profundezas (pelagos) dos mares.

Quem é o outro? Além dos provocadores, que gostam de fustigar as consciências alheias, com a sua pseudoliberdade, confundindo-as, porque têm a necessidade de se afirmarem, uma vez que não estão tão convictos do que fazem, pois o que fazem não procede de convicção, mas de revolta amargurada, gabam-se eles do que supõem a sua liberdade lhes permitir.

Mas quem é o outro? O outro são aqueles a quem Jesus se referiu como fraco em sua consciência - não necessariamente menos espiritual - e que deve ser tratado com compaixão. Se confundido, em suas convicções débeis, acabará, não por convicção própria, sendo levado a fazer o que não acredita e a sua consciência não suportará a culpa do que, em sua fraqueza, desaprova, por ser ainda imaturo para discernir o alcance da verdadeira liberdade da graça.

A propósito, a graça não é uma licença para que se faça o que bem se entende ou fazer aquilo de que não se está convicto, mas para amar a Deus assim como Ele nos ama, e fazer tudo o que na vida manifesta o amor de Deus.

Mas há ainda um outro sobre o qual as palavras de Jesus não se referem no contexto. Contudo, deles vou falar. Ele teve de lidar com os legalistas. Estes eram os religiosos intolerantes da época, com os quais Jesus teve fortes embates, pois exigiam do povo uma santidade que eles mesmos não praticavam e sobrecarregavam-no com uma culpa, por causa de suas exigências desumanas, que oprimiam as gentes.

Os mandamentos de Deus não são penosos!

Eles também mereciam amarrar uma pedra de moinho no pescoço e se lançarem nas profundezas dos mares, porque as suas existências se passavam na escuridão das profundezas da hipocrisia.

A verdade é que tanto os provocadores quanto os legalistas, de ontem e de hoje, tentam manipular as consciências da gente amada de Deus, querendo privá-la da experiência da santidade e da liberdade da graça.

A graça de Deus nos concede a bênção inestimável de sermos santos e livres, de viver uma santidade livre e uma liberdade santa, para a glória de Deus, Pai de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Aquele que nos fez santos e livres, livres e santos. Amém.